Mendicidade e sucesso: a perspetiva de Tobeh sobre alguns jovens na Costa do Marfim

No seu vídeo, Tobeh interessa-se por um fenómeno que associa a uma parte da juventude marfinense: a multiplicação dos pedidos de dinheiro dirigidos a pessoas que se presume terem posses. O seu discurso não se refere apenas à mendicidade no sentido tradicional. Descreve também pedidos informais, por vezes insistentes, dirigidos a artistas, pessoas mais velhas, automobilistas ou a qualquer pessoa identificada como próspera.
Segundo a análise desenvolvida na sequência, esta prática pode surgir como uma forma rápida de obter dinheiro. Seria ainda mais incentivada quando exemplos visíveis dão a impressão de que pedir, insistir ou tornar-se viral permite ser recompensado financeiramente.
Uma contradição entre mendigar e ganhar muito
Tobeh parte de uma constatação que apresenta como paradoxal: a mendicidade é habitualmente associada à falta e à necessidade de pedir a quem dispõe de mais recursos. No entanto, nos exemplos que comenta, pode ser vista como uma oportunidade para ganhar somas importantes.
Menciona, em particular, o caso de uma pessoa que cantou perante uma grande comunidade de jovens e que recebeu, segundo as suas palavras, 3 milhões. Para ele, este tipo de cena pode transmitir uma mensagem problemática: um jovem pode concluir que também lhe é possível ganhar muito dinheiro simplesmente pedindo aos outros.
O vídeo não apresenta esta lógica como uma necessidade económica sistemática. Insiste antes na ideia de uma prática que se tornou familiar em determinados contextos, ao ponto de já não ser necessariamente considerada degradante por quem a adota.
O sucesso visto como motivo para pedir
No relato de Tobeh, a aparência de sucesso desempenha um papel central. Um carro bonito pode, por exemplo, bastar para levar a presumir que uma pessoa tem dinheiro. Torna-se então um sinal exterior que atrai pedidos.
Descreve uma situação em que um jovem se agarra ao carro do artista Imra para obter dinheiro. O episódio é apresentado como particularmente revelador porque o jovem teria reconhecido não conhecer o artista. De acordo com as declarações relatadas no vídeo, um amigo teria apenas indicado que se tratava de um artista com dinheiro.
Para Tobeh, este exemplo mostra que o pedido não assenta necessariamente na admiração por uma personalidade ou numa ligação real com ela. Pode resultar de uma simples perceção de riqueza. A pessoa que tem sucesso fica assim exposta a pedidos repetidos.
Uma «taxa sobre o sucesso», segundo o vídeo
O vídeo resume esta pressão através da expressão «taxa sobre o sucesso». Não se trata de um imposto oficial, mas de uma fórmula para designar a expectativa social que pesaria sobre as pessoas consideradas financeiramente confortáveis.
Tobeh também cita uma interação entre os artistas marfinenses Rambal Junior e Did B. Neste excerto, a conversa sobre os bens, o seu valor e o dinheiro transforma-se num pedido direto. O exemplo serve para ilustrar uma cultura de pedidos que também pode existir entre pessoas conhecidas.
Outro testemunho em vídeo transmitido na sequência expressa o incómodo de uma pessoa que afirma ser abordada repetidamente, nomeadamente à chegada a um restaurante e a partir do seu carro. A declaração relatada coloca uma questão simples: porque é que algumas pessoas dão a impressão de que o dinheiro se encontra facilmente?
Quando insistir se torna uma estratégia
O videasta considera que alguns jovens já não veem razão para se abster. No seu raciocínio, quando um pedido de dinheiro é frequente, socialmente tolerado e por vezes recompensado, a insistência pode acabar por ser considerada uma estratégia normal.
Comenta assim um vídeo que se tornou viral e que mostra um grupo de crianças a criar animação para obter dinheiro de uma pessoa mais velha. Uma das crianças teria recebido algo antes de o esconder, tendo depois continuado a participar como se ainda não tivesse obtido nada.
Para Tobeh, o que se seguiu a este episódio é significativo: graças ao burburinho gerado pelo vídeo, a criança teria podido pedir mais dinheiro, incluindo a celebridades. Uma pessoa declara, nomeadamente, ter-lhe dado 50 euros. Na interpretação do videasta, esta visibilidade reforça a ideia de que pedir pode ser rentável e repetido.
A questão das crianças e da influência dos adultos
O vídeo aborda depois uma dimensão mais sensível: as situações em que crianças são enviadas para pedir dinheiro ou incentivadas a fazê-lo por adultos. Tobeh indica que, na sua opinião, alguns pais incentivariam os filhos a mentir ou a recorrer a esta prática, mesmo sem se encontrarem numa situação de extrema necessidade.
Excerto mostram adultos a falar em ir «pedir» com crianças e a dar indicações sobre a forma de proceder. O videasta também evoca crianças que se apresentam como doentes para pedir ajuda.
Estas cenas são tratadas no vídeo como o sinal de uma transmissão: para além de um gesto pontual, os mais novos podem aprender que pedir dinheiro a desconhecidos ou a pessoas mais velhas constitui uma forma habitual de o obter.
Redes sociais que mudam a forma dos pedidos
Por fim, Tobeh considera que as ferramentas digitais dão uma forma mais moderna a este fenómeno. O seu vídeo sugere que as redes sociais, a viralidade e o acesso direto a pessoas conhecidas podem facilitar os pedidos.
Neste contexto, o burburinho não serve apenas para entreter ou tornar uma pessoa conhecida. Pode tornar-se, de acordo com o argumento desenvolvido, uma alavanca para atrair atenção, interpelar personalidades e pedir ajuda financeira.
A intervenção de Tobeh é, portanto, acima de tudo, uma crítica à banalização que observa. Relaciona vários elementos: a aparência de riqueza, a pressão dirigida a pessoas bem-sucedidas, a insistência no espaço público, o envolvimento de crianças em alguns casos e a capacidade das redes sociais para amplificar estes comportamentos.
Perguntas frequentes
Qual é o tema principal do vídeo de Tobeh?
O vídeo aborda aquilo que Tobeh apresenta como uma banalização dos pedidos de dinheiro entre alguns jovens na Costa do Marfim, nomeadamente junto de pessoas vistas como ricas ou bem-sucedidas.
Porque é que o vídeo fala de «taxa sobre o sucesso»?
Esta expressão designa, no vídeo, os pedidos repetidos com que podem ser confrontadas as pessoas que têm visibilidade, um carro caro ou uma aparência de sucesso.
Que papel desempenham as redes sociais nesta análise?
Segundo Tobeh, os vídeos virais e a visibilidade online podem permitir a algumas pessoas multiplicar os pedidos de dinheiro junto de um público mais vasto, incluindo celebridades.
Fonte do vídeo: Um vídeo de Tobeh: A juventude marfinense gosta de mendigar: tem razão.



