Pastores africanos e falsos milagres: o que o vídeo de Tobeh questiona

No seu vídeo, Tobeh aborda um tema que considera sensível: as práticas de certos pastores africanos, nomeadamente as demonstrações de cura, as profecias e os milagres apresentados perante grandes assembleias. O seu propósito não é pôr em causa todas as crenças cristãs. Aliás, esclarece que se define a si próprio como cristão, ao mesmo tempo que exprime muitas dúvidas sobre as instituições religiosas e sobre as pessoas que reivindicam poderes espirituais.
O videasta adopta um tom satírico, mas a sua questão central é séria: como distinguir uma experiência de fé sincera de uma encenação suscetível de influenciar fiéis vulneráveis? Para ilustrar o seu argumento, evoca vários comportamentos observados em cultos e detém-se longamente no caso do pastor Alph Lukau.
Uma crítica que pretende distinguir-se da fé cristã
Tobeh começa por situar a sua própria relação com o cristianismo. Afirma acreditar em Deus e na existência de Jesus, mas explica que não adere sem reservas a todas as interpretações religiosas. Diz, nomeadamente, que considera a Bíblia um texto escrito, compilado e transmitido por seres humanos.
Esta posição pessoal serve de ponto de partida para a sua crítica. Segundo ele, se um crente já pode questionar certos discursos religiosos ou certas leituras dos textos, é ainda mais legítimo manter um olhar crítico perante as afirmações feitas por pregadores contemporâneos.
Assim, o vídeo não apresenta uma investigação sobre todas as igrejas africanas nem sobre todos os responsáveis religiosos. Incide antes sobre figuras mediáticas e sobre sequências de culto em que afirmações extraordinárias são destacadas perante um público.
Três níveis de demonstração espiritual segundo Tobeh
Para estruturar o seu argumento, Tobeh descreve com humor três perfis de pastores que considera encontrar em determinados contextos religiosos africanos. Esta classificação decorre do seu comentário e não de uma tipologia oficial.
Os pregadores e as interpretações espetaculares
O primeiro nível diz respeito aos responsáveis religiosos capazes, segundo ele, de cativar a sua assembleia pela eloquência. Cita pregações que associam, por exemplo, a pobreza a uma ofensa contra Deus, ou que propõem explicações muito livres para fenómenos comuns.
O videasta critica sobretudo a autoridade concedida à expressão «Deus disse-me». Aos seus olhos, esta expressão pode impedir qualquer contestação: quando uma palavra é apresentada como diretamente inspirada por Deus, os fiéis podem hesitar em questioná-la.
Também evoca o falar em línguas, uma prática presente em certas tradições cristãs. Sem analisar o seu lugar teológico, Tobeh troça da forma como esta prática pode ser entendida como uma prova de proximidade com o Espírito Santo ou como uma capacidade a alcançar.
As manifestações físicas durante os cultos
No segundo nível, o criador descreve cenas em que o poder espiritual supostamente se manifestaria fisicamente: quedas, gritos, movimentos do corpo ou comportamentos coletivos. Divulga e comenta vários excertos de encontros religiosos para destacar aquilo que entende como o caráter espetacular destas sequências.
A sua perspetiva é claramente cética. Questiona a fronteira entre fervor religioso, efeito de grupo, encenação e sugestão. Contudo, o vídeo não fornece elementos que permitam tirar uma conclusão geral sobre todas as pessoas envolvidas ou sobre todas as práticas religiosas semelhantes.
Os milagres e as curas anunciadas
O terceiro nível é o que mais preocupa Tobeh: o dos responsáveis que afirmam obter milagres, curas ou transformações imediatas. Insiste na carga emocional destes anúncios, sobretudo quando dizem respeito a pessoas doentes, enlutadas ou confrontadas com grandes dificuldades materiais.
Para ele, é precisamente aí que o risco se torna maior. Uma pessoa que espera uma cura ou uma solução para uma situação dolorosa pode depositar total confiança naquele que se apresenta como capaz de intervir na sua vida através de uma ação divina.
O caso de Alph Lukau no vídeo
Tobeh apresenta Alph Lukau como um dos pastores africanos mais conhecidos. Recorda, nomeadamente, uma sequência amplamente divulgada na Internet, na qual um homem apresentado como morto é mostrado num caixão antes de se levantar durante um evento religioso.
Segundo o videasta, esta sequência teria sido posteriormente descrita como uma encenação pelas pessoas envolvidas, e Alph Lukau também teria reconhecido que se tratava de uma encenação. Esta afirmação é relatada por Tobeh no seu vídeo; o artigo não dispõe aqui de elementos independentes que permitam detalhar o contexto ou as declarações em causa.
A sequência é utilizada pelo criador como exemplo daquilo que denuncia: um acontecimento concebido para impressionar, reforçar a imagem espiritual de um pastor e suscitar a adesão do público. Ironiza, nomeadamente, sobre a representação visível no excerto e sobre a forma como o milagre é transformado em espetáculo.
Curas que suscitam dúvidas
O vídeo mostra também outro excerto de culto atribuído a Alph Lukau. Nesta cena, uma criança com dificuldades em andar é levada perante o pastor. Após uma oração e uma interação com a criança e a sua mãe, esta levanta-se sob os aplausos da assembleia.
Tobeh põe em causa a autenticidade desta demonstração. Salienta elementos que considera perturbadores, nomeadamente o desenrolar muito oportuno da cena e a presença anunciada de um médico. No entanto, esclarece não ser médico quando comenta o estado físico da criança no excerto.
O videasta divulga também testemunhos em inglês de pessoas que afirmam ter sido solicitadas para representar papéis ou seguir um guião durante alegados milagres. Mais uma vez, estes testemunhos são apresentados no vídeo como elementos de acusação. Ilustram a tese defendida por Tobeh, segundo a qual certas demonstrações seriam organizadas para parecerem milagrosas.
A questão do dinheiro e da influência
Para além dos milagres, Tobeh questiona a riqueza e o estilo de vida atribuídos a Alph Lukau. Menciona no vídeo uma estimativa de fortuna, veículos de luxo, uma residência em Joanesburgo, grandes encontros e deslocações acompanhadas por um cortejo.
Estas informações são relatadas pelo videasta e não são sustentadas na transcrição por fontes verificáveis. Devem, por isso, ser entendidas como afirmações feitas no âmbito do seu comentário, e não como factos estabelecidos neste artigo.
A sua questão continua, ainda assim, explícita: como conciliar a acumulação de bens de luxo com um ideal cristão que associa a uma vida desprendida das posses? Pergunta-se, em particular, qual poderá ser a utilidade de carros muito potentes ou muito dispendiosos para um pastor.
O risco para os fiéis segundo Tobeh
A conclusão do vídeo vai além da troça. Tobeh considera que os alegados falsos milagres e as promessas espirituais podem ter consequências psicológicas, financeiras e sociais importantes. Insiste nas pessoas que procuram esperança após um luto, uma doença ou uma dificuldade pessoal.
O seu argumento é que a fé de uma pessoa não deve tornar-se uma alavanca para obter dinheiro, admiração ou confiança ilimitada. Apela implicitamente ao discernimento perante relatos extraordinários, sem afirmar, contudo, que toda a prática religiosa ou toda a igreja decorre da manipulação.
Perguntas frequentes
Qual é o tema principal do vídeo de Tobeh?
O vídeo critica as demonstrações de milagres, as profecias espetaculares e a influência de certos pastores africanos. Alph Lukau é apresentado como o principal exemplo.
O vídeo põe em causa o cristianismo no seu todo?
Não. Tobeh afirma ser cristão e distingue a sua fé pessoal das práticas de certos responsáveis religiosos que considera problemáticas.
O que critica Tobeh nos alegados milagres?
Considera que alguns milagres poderão ser encenados e que estas práticas correm o risco de explorar a esperança, o sofrimento ou a confiança dos fiéis.



