Achar-se mais importante do que os outros: quando a notoriedade alimenta o sentimento de superioridade

Achar-se mais importante do que os outros pode tornar-se uma tentação quando toda a atenção parece convergir para si. No seu vídeo, Tobeh interessa-se por esta impressão de superioridade através de várias figuras públicas africanas muito presentes nas redes sociais. O seu propósito não é estabelecer um diagnóstico sobre estas pessoas, mas comentar intervenções públicas, excertos de vídeos e as reações que suscitam.
O ponto de partida é simples: cada pessoa está naturalmente no centro da sua própria vida. Mas a notoriedade acrescenta um elemento particular. Quando alguém é regularmente observado, comentado, solicitado ou citado, pode sentir que tudo o que o rodeia lhe diz respeito. A fronteira entre uma audiência atenta e uma forma de centralidade absoluta pode então tornar-se frágil.
Quando a celebridade dá a impressão de estar no centro de tudo
Tobeh descreve a figura da «estrela» como alguém cujo nome é conhecido, cujas ações interessam a um vasto público e cujos projetos dão que falar. Nesta representação, o indivíduo deixa de se percecionar apenas como uma pessoa entre outras: torna-se uma personalidade seguida, discutida e, por vezes, aguardada.
Esta exposição pode modificar a forma como se recebem as críticas. Uma observação, um desacordo ou uma pergunta de um internauta pode ser vivido não como uma interação comum, mas como uma intrusão. Inversamente, alguns criadores podem também considerar que a sua visibilidade lhes confere uma autoridade particular em assuntos que não decorrem necessariamente da sua atividade inicial.
O vídeo sublinha sobretudo um paradoxo: quanto mais uma pessoa é visível, mais pode ser levada a pensar que a sua opinião, a sua vida privada ou as suas escolhas revestem uma importância excecional. Contudo, a popularidade não protege das contradições nem da contestação. Muitas vezes, torna-as mais visíveis.
Mabio: a afirmação assumida do estatuto de estrela
O primeiro exemplo comentado por Tobeh é o de Mabio, apresentada no vídeo como uma influenciadora marfinense conhecida e popular, nomeadamente junto de um público feminino. O autor do vídeo analisa várias sequências em que ela se define explicitamente como uma estrela e recusa ser colocada no mesmo plano que os seus seguidores ou detratores.
Nos excertos divulgados, esta identidade de «estrela» parece justificar certas distâncias: uma peça de roupa deixaria de poder ser usada em determinados contextos, as mensagens não teriam necessariamente de receber uma resposta imediata e o acesso à pessoa obedeceria a regras diferentes das de uma relação comum. Tobeh vê nisso a expressão de uma relação hierárquica entre a influenciadora e a sua audiência.
O vídeo evoca igualmente uma operação comercial em torno de produtos para emagrecer, denominada «Objectif 3000 Thés», segundo o narrador. Este afirma que fãs teriam comprado em grande quantidade para apoiar a influenciadora, para além do seu interesse pelo produto. O montante referido no vídeo é apresentado como uma estimativa e não constitui, neste artigo, um facto verificado de forma independente.
Para Tobeh, este tipo de apoio pode reforçar o sentimento de se ser excecional. Quando uma comunidade paga para seguir uma pessoa, compra os seus produtos ou se organiza em torno das suas transmissões em direto, isso pode tornar-se um sinal de poder simbólico. O autor do vídeo critica então determinadas declarações que considera desdenhosas em relação aos seguidores e às pessoas que contestam essa postura.
«La vitesse noire»: visibilidade, críticas e relação com os internautas
O vídeo detém-se depois numa influenciadora apelidada de «la vitesse noire». Tobeh associa a sua notoriedade à sua aparência e à atenção que recebe nas redes sociais. Comenta também um caso que envolve declarações negativas que ela teria feito sobre a Wave, uma empresa de microfinanças na Costa do Marfim.
O autor do vídeo indica que teria sido apresentada uma queixa e afirma que a justiça teria concluído que ela mentiu. Como estes elementos são relatados pela transcrição sem documentos judiciais nem informações adicionais, devem ser entendidos como o relato feito pelo narrador e não como uma conclusão independente.
O que mais interessa a Tobeh é a forma como a influenciadora responderia às críticas. Os excertos selecionados mostram um discurso em que as críticas são atribuídas à inveja, à ociosidade ou à suposta insignificância das pessoas que as formulam. O contraste está no centro da sua análise: ter muitos seguidores não significa automaticamente aceitar a contestação nem tratar a audiência como um interlocutor legítimo.
A noção de «luz» ou de «estrela» também surge nas sequências comentadas. Segundo os excertos, a influenciadora explica que a proximidade com ela ou um conflito com ela pode dar visibilidade aos outros. Tobeh interpreta estas declarações como o sinal de uma pessoa que se coloca no topo de um sistema de reconhecimento.
M. Boli: o elitismo como encenação
Com M. Boli, o tema assume outra forma. Tobeh apresenta-o como especialista jurídico e empresário, nomeadamente no setor dos transportes. Ao contrário dos exemplos anteriores, o autor do vídeo reconhece que ele também produz conteúdos que podem ser úteis, por exemplo, quando interpela a companhia de eletricidade marfinense sobre os cortes de energia.
Mas o vídeo insiste no seu estilo de comunicação. Vários excertos são comentados como demonstrações de elitismo: recusa em ser tratado por «bro», referências a certos lugares ou percursos, observações sobre a aparência ou a situação social de outras pessoas. Tobeh considera que esta forma de falar cria uma distância deliberada entre M. Boli e o restante público.
A sua análise não nega, portanto, a existência de competências ou de ações concretas. Questiona antes a forma como o sucesso, o estatuto profissional ou as referências sociais podem ser mobilizados para afirmar uma superioridade pessoal. Mesmo quando um criador defende ideias ou causas consideradas úteis, o seu tom pode modificar profundamente a forma como a sua mensagem é recebida.
Philippe Simo: sucesso, conselhos financeiros e perceção de desconexão
Por fim, Tobeh menciona Philippe Simo, criador do canal «Investir au pays», orientado para o empreendedorismo, o investimento e as finanças. O autor do vídeo reconhece a sua grande visibilidade e o seu papel na divulgação de conteúdos destinados à diáspora e às pessoas que pretendem desenvolver projetos económicos.
A crítica incide, no entanto, sobre certas declarações referidas no vídeo. Tobeh cita, nomeadamente, comentários muito perentórios sobre as tontinas, a compra de habitação própria e a idade em que se deveria tornar proprietário. No excerto comentado, Philippe Simo afirma que uma pessoa de 30 anos que não possua a sua habitação própria estaria ameaçada pela pobreza, antes de responder às críticas denunciando aquilo a que chama mediocridade.
Para Tobeh, este tipo de discurso pode parecer desligado da realidade de uma parte do público africano ou da diáspora. Não contesta apenas o conselho financeiro: questiona a forma de o enunciar. Quando um empresário próspero apresenta um percurso como uma norma universal, as pessoas cuja situação é diferente podem sentir-se desprezadas em vez de acompanhadas.
O vídeo relata também que alguns internautas põem em causa as atividades e as fontes de rendimento de Philippe Simo. Estas acusações são apresentadas como críticas que circulam online; não são estabelecidas pela transcrição e não permitem concluir sobre a realidade das suas atividades.
A notoriedade não autoriza o desprezo
Através destes exemplos, Tobeh desenvolve uma ideia central: a popularidade, o dinheiro exibido, a influência ou as realizações profissionais podem alimentar uma impressão de superioridade. Mas o reconhecimento do público não transforma automaticamente uma pessoa numa referência incontestável, nem torna os outros menos legítimos para expressarem um desacordo.
O vídeo evidencia sobretudo a tensão entre duas realidades. Por um lado, as personalidades públicas têm o direito de valorizar o seu trabalho, o seu sucesso e a sua comunidade. Por outro, continuam expostas à crítica quando escolhem intervir publicamente. Achar-se mais importante do que os outros pode então surgir menos como uma consequência inevitável do sucesso do que como uma forma particular de o encenar.
Perguntas frequentes
Porque pode a notoriedade dar um sentimento de superioridade?
Segundo a análise desenvolvida no vídeo, ser constantemente observado, solicitado e comentado pode dar a impressão de que tudo gira à nossa volta. Esta impressão pode ser reforçada pelo apoio financeiro ou afetivo de uma comunidade online.
O vídeo afirma que todas as personalidades referidas são iguais?
Não. Tobeh aborda perfis diferentes: influência, empreendedorismo, especialização jurídica ou conselhos financeiros. O fio condutor é a perceção de uma postura de superioridade em determinadas intervenções públicas.
As críticas mencionadas no vídeo estão todas verificadas?
Não. Várias acusações e reações de internautas são relatadas pelo autor do vídeo. Devem continuar a ser atribuídas aos seus autores quando não é fornecido na transcrição qualquer elemento de verificação independente.



